Ibovespa cai quase abaixo dos 100 mil pontos e dólar sobe a R$ 3,85

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Real foi uma das moedas com maior queda no dia | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

A esperada realização de lucros no mercado de ações chegou com mais força que o previsto e o Índice Bovespa por pouco não fechou abaixo da marca dos 100 mil pontos nesta terça-feira. Depois de quatro altas consecutivas, o indicador cedeu ante uma série de fatores negativos, como a aversão ao risco no mercado externo e os novos ruídos no cenário político doméstico. Assim, terminou o dia aos 100.092,95 pontos, com queda de 1,93%.

O sinal negativo foi definido ainda no início dos negócios, mas o noticiário ao longo do dia acelerou gradativamente as perdas, levando o Ibovespa à mínima de 99.890,22 pontos (-2,13%), às 15h30min. O pior momento foi reflexo da notícia de que o STF analisaria proposta do ministro Gilmar Mendes de conceder liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a conclusão do processo em que o petista acusa o ex-juiz federal Sergio Moro de “parcialidade” no julgamento do caso do triplex do Guarujá.

“O mercado vinha com sinais muito positivos para as ações, por conta da expectativa de cortes de juros aqui e no exterior. Mas a falta de notícias novas já indicava ausência de motivos para dar continuidade ao movimento de alta. Hoje só houve motivos para incentivar incertezas. E todos negativos”, disse Glauco Legat, analista da Necton Investimentos.
Segundo Legat, a questão em torno do ex-presidente Lula traz mais incerteza pois pode ser mais um empecilho no cenário político no momento em que se espera o avanço da reforma da Previdência.

E a reforma da Previdência também foi motivo para estresse nos negócios. No início da tarde, o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL) defendeu o adiamento da votação do relatório da reforma na comissão especial da Casa, sob o argumento da necessidade de ajustes no texto, uma vez que demandas de deputados ainda não foram atendidas no relatório.

Dólar

O mercado de câmbio teve uma terça-feira agitada, marcada pelo aumento da procura por dólares para envio ao exterior, preocupações com a votação da reforma da Previdência na comissão especial e com os rumos da política monetária dos Estados Unidos. Até o ex-presidente Lula, que tem pedido de liberdade avaliado hoje pelo Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao radar das mesas de operação. Com isso, o real foi uma das moedas que mais perdeu valor no mercado financeiro mundial, junto com o rublo, da Rússia.

O Banco Central entrou no mercado, ofertando US$ 1 bilhão para dar liquidez. Profissionais não descartam nova intervenção nos próximos dias, pois a demanda pela moeda americana deve seguir alta. O dólar à vista fechou em alta de 0,65%, a R$ 3,8520. Até o início da tarde, os investidores estavam monitorando o exterior, e o dólar subia lá fora, mas um Twitter do líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendendo o adiamento da votação da Previdência na comissão especial provocou uma onda de ordens de compra de dólares e a moeda bateu máximas. Praticamente no mesmo horário da postagem de Lira, nos Estados Unidos, dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) discursavam e o dólar acelerou a alta no mercado financeiro internacional.

Todas essas notícias externas e as domésticas, incluindo a do julgamento no STF que pode liberar o ex-presidente Lula, ocorreram em um dia de mercado à vista com liquidez escassa, por conta do aumento da demanda das empresas pela moeda americana, observa o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem.

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