Macron tem reunião de emergência após caos em protestos na França

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O presidente francês, Emmanuel Macron, dirigiu neste domingo uma reunião de emergência do Executivo, um dia após uma jornada de caos em toda a França e cenas de violência em Paris, em plena escalada do conflito com os “coletes amarelos”, que se tornou uma grave crise política. Recém-chegado de Buenos Aires, onde participou da reunião de cúpula do G20, o presidente francês foi até o Arco do Triunfo, um dos lugares onde houve mais violência, para observar os estragos. Durante a visita, foi vaiado por alguns manifestantes.

Em seguida, Macron dirigiu uma reunião de emergência com alguns de seus ministros, a fim de encontrar uma resposta para um movimento que parece fugir de qualquer controle. A violência em Paris foi de “uma gravidade sem precedentes”, lamentou neste domingo o chefe da polícia Michel Delpuech. Um total de 412 pessoas foram detidas, “um nível nunca alcançado nas últimas décadas”, assinalou, lamentando a “violência extrema e inédita” contra as forças de ordem, com “lançamento de martelos e bolas de aço”.

Cerca de 136 mil pessoas participaram do terceiro sábado de protestos organizados em toda a França pelos coletes amarelos, o que representa um aumento em relação ao número de manifestantes nos protestos da semana anterior, dos quais participaram 106 mil pessoas, segundo o governo francês. Os distúrbios deixaram 133 feridos, entre eles 23 membros das forças de segurança. Incidentes também foram registrados no restante do território francês.

O Senado francês anunciou neste domingo que convocou para terça-feira os dois ministros da segurança para darem “explicações sobre os meios estabelecidos pelo Ministério do Interior” no sábado. Macron acusou os manifestantes violentos de quererem apenas o “caos”. Seu ministro do Interior, Christophe Castaner, não descartou a possibilidade de decretar estado de emergência, para evitar um novo surto de violência no próximo fim de semana.

Segundo o presidente, os distúrbios “nada têm a ver com a expressão de descontentamento legítimo” dos “coletes amarelos”, um movimento social de franceses que, inicialmente, opunha-se ao aumento do preço dos combustíveis e, depois, expandiu-se para o problema do poder de compra, e que acusa o governo de Macron de tratá-los com desprezo e intransigência. Após a violência deste sábado, algumas vozes do poder sugeriram que haverá mudanças, pelo menos na forma da ação governamental.

“Pecamos por estarmos muito distantes da realidade dos franceses”, declarou o novo líder do partido de Macron, LREM (A República em Marcha), Stephane Guerini.

Mas a oposição e parte dos “coletes amarelos”, movimento sem estrutura nem líder claro, reclamam um forte gesto do governo, começando com uma moratória ou um congelamento do aumento dos impostos sobre os combustíveis. À direita, o presidente do partido Republicanos, Laurent Wauquiez, reiterou seu apelo à organização de um referendo sobre a política ecológica e fiscal de Emmanuel Macron. Marine Le Pen (extrema direita) pediu para ser recebida por Macron com os outros líderes dos partidos políticos de oposição.

À esquerda, o líder dos socialistas, Olivier Faure, exigiu medidas voltadas para o poder de compra. Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, pediu o restabelecimento do imposto sobre as grandes fortunas, enquanto aplaudiu “a rebelião cidadã” que “faz tremer o mundo do dinheiro”.

Diante das reivindicações, o governo anunciou medidas de auxílio (verificações de energia, bônus de conversão), mas descartou qualquer mudança de direção. Neste domingo, seu porta-voz, Benjamin Griveaux, reiterou esta posição, “porque o curso é o certo”. Diante da dificuldade de canalizar para uma estrutura de negociação um movimento popular nascido fora de qualquer estrutura, Griveaux lembrou a disposição do governo em dialogar, assegurando que o Executivo “está pronto” para discutir com representantes dos coletes amarelos.

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