“O Rei Leão”, uma proeza tecnológica da Disney

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As adaptações de suas animações clássicas em live action deram à Disney uma série de sucessos de bilheteria nos últimos anos, como “Mogli: Entre dois mundos” ou os recentes “Dumbo” e “Aladdin”. Mas a nova versão de “O Rei Leão” representa uma aposta ainda maior.

Com um orçamento de 250 milhões de dólares e um impressionante elenco de vozes incluindo Beyoncé, as expectativas são grandes para este filme que volta a contar a história de Simba, um jovem leão que deverá vingar a morte de seu pai para se tornar o rei da savana africana. Em novembro, o trailer da produção foi visto 225 milhões de vezes nas primeiras 24 horas, um número recorde para a Disney. O filme, que estreia na quinta-feira (18) nos cinemas brasileiros, foi quase inteiramente gerado por computador.

No entanto, este “O Rei Leão” não é um filme de animação 3D convencional. Segundo seu diretor, Jon Favreau, uma nova técnica foi usada no filme: foi filmado por uma equipe tradicional de técnicos, mas que trabalhou em um mundo virtual em três dimensões. O processo exigiu que os produtores e atores utilizassem capacetes de realidade virtual para “entrar” em uma savana artificial, como num videogame, para filmar cenas ou apenas olhar versões brutas das aventuras de Simba e seus amigos.

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“A equipe colocava seus capacetes, explorava o meio ambiente e podia instalar as câmeras dentro da realidade virtual”, disse Favreau a repórteres em uma entrevista coletiva na quarta-feira em Beverly Hills. Este método encantou JD McCrary, que empresta sua voz ao jovem Simba no início do filme. “Colocávamos os capacetes e tínhamos uma espécie de controle remoto nas mãos”, relatou o ator. “Podíamos ver tudo, as terras do reino, a pedra do rei. Eu vi tudo, foi ótimo”.

Para trabalhar em um set de filmagens virtuais, não é necessário nenhum conhecimento específico sobre efeitos visuais. Desta forma, técnicos sem experiência nessa área puderam trabalhar e contribuir com seu conhecimento tradicional neste filme. Essa imersão na realidade virtual permitiu que técnicos e roteiristas visualizassem o filme durante a filmagem e fizessem ajustes, como de iluminação, diretamente. Em seguida, as imagens geradas foram enviadas para Londres, para a empresa de efeitos visuais MPC, onde foram processadas para a finalização.

Inspirado por documentários
O filme também foi inspirado nos documentários do famoso cineasta britânico David Attenborough, que fez com que a natureza fosse admirada por milhões de pessoas em todo o mundo. Desde o início, o remake procura chamar a atenção do público com impressionantes “cenas” de antílopes e zebras galopando pela savana. Ao contrário do desenho original, os rostos dos animais nesta nova versão são realistas e não se assemelham aos dos humanos.

Para Favreau, é importante que o filme dê “a ilusão de ser um documentário naturalista”. “Vimos (…) todos os documentários de Attenborough na BBC e (vimos como) a emoção poderia ser expressa sem representação humana”, explicou. Outra ruptura com a tradição: os atores que emprestaram suas vozes aos personagens, e que geralmente falam sozinhos em cabines, gravaram juntos no palco, o que lhes permitiu improvisar.

Foi assim que a célebre cena em que Simba aprende a filosofia de “Hakuna Matata” foi recriada. Seth Rogen, a voz do javali Pumba, achou “incrível” que lhe pediram para improvisar “no que é provavelmente o filme mais incrível, tecnologicamente falando”. O remake do sucesso de 1994 segue meticulosamente a história do primeiro filme, e até James Earl Jones retorna como a voz do pai de Simba, Mufasa. As músicas “Círculo sem fim” e “O que eu quero mais é ser rei” voltam iguais. Os compositores Hans Zimmer e Lebo Morake voltaram a trabalhar juntos, e Elton John e o letrista Tim Rice fizeram uma nova música.

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