Petróleo continua em queda e já “vale menos do que uma pizza”

0
241
Produção de petróleo despencou por conta da pandemia de coronavírus | Foto: Frederic J. Brown / AFP / CP

A agitação no mercado petroleiro, que despencou pela falta de demanda decorrente da pandemia de coronavírus, persistiu nesta terça-feira (21), depois que, nos Estados Unidos, os produtores tiveram de pagar para vender.

“Nunca pensei que seria possível que o petróleo americano chegasse a valer menos do que uma pizza, ou uma fatia de pizza”, disse Jameel Ahmad, chefe de estratégia de divisas e pesquisa de mercado na FXTM.

“Era impensável, mas se tornou realidade para os operadores que o preço do cru americano fosse negativo pela primeira vez na história”, completou Ahmad.

Nesta terça, depois de uma queda histórica na segunda, o barril de petróleo para entrega em maio, negociado em Nova York, voltou a operar no azul, mas o preço do barril com entrega para junho teve queda histórica de 43%.

A cotação do barril de WTI, cujo contrato expirava nesta terça, caiu na segunda pela primeira vez na história a níveis negativos, a -37,63 dólares, o que significa que os proprietários dos contratos de compra pagaram para encontrar compradores para o petróleo físico. Nesta terça, depois de vários vai-e-vens, este contrato fechou a 10,01 dólares.

Esta recuperação, no entanto, não antecipa uma mudança na tendência para as próximas semanas.

O barril para entrega em junho, que será a referência a partir de quarta, caiu 43%, a 11,57 dólares, algo nunca visto desde a criação destes contratos futuros, em 1983. Durante a sessão, chegou a cair para US$ 6,50 a unidade.

Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em junho, caiu 24,4% a 19,33 dólares, sua pior queda desde o início da guerra do Golfo, em 1991.

Cotações no chão
“O WTI e o Brent registraram perdas importantes hoje”, constatou David Madden, analista da CMC Markets, com “uma atenção muito particular no Brent”, que esteve um pouco à margem da queda histórica do WTI na segunda-feira.

O mercado do petróleo vem caindo há várias semanas.

Os preços negativos fazem os operadores terem de pagar para encontrar compradores que fiquem com o petróleo fisicamente. Esta é uma tarefa complicada no momento em que quase não há capacidade de armazenamento pela queda da demanda e devido a uma produção que segue acima das necessidades do mercado.

Nos Estados Unidos, o armazenamento é um grande problema, pois o WTI é entregue em um único lugar no interior do país, diferentemente da Europa, onde há pontos de armazenamento e sua proximidade com o mar permite que se armazene o petróleo em petroleiros.

A National Gas Intelligence informa uma taxa de preenchimento de 80%, segundo o analista Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote Bank.

Isto é suficiente para “dar um choque nos produtores de petróleo e animá-los a tomar medidas mais significativas para apoiar os preços”, diz Fiona Cincotta, da Gain Capital.

Vários países produtores se reuniram em teleconferência nesta terça para analisar a “situação dramática do mercado”, reconheceu nesta terça a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

A Rússia, principal aliado externo da Opep, não participou do encontro virtual, informou à AFP uma porta-voz do ministro de Energia russo, Alexander Novak. A participação da Arábia Saudita, maior exportador mundial, tampouco foi confirmada.

O cartel e seus principais aliados, como a Rússia, se comprometeram na semana passada a reduzir sua produção petrolífera em proporções recorde, mas os cortes permanecem insuficientes em relação à queda da demanda.

A Arábia Saudita, líder do carte, informou nesta terça-feira que está “vigiando de perto” os mercados petroleiros e que está disposta a adotar qualquer medida adicional, após a queda dos preços, segundo a agência oficial de imprensa, SPA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou nesta terça que seu gabinete elabore um plano de emergência para ajudar a indústria do petróleo e de gás.

“Nunca deixaremos quebrar o nosso grande setor americano de petróleo e gás”, prometeu o presidente em um tuíte.

Na publicação, Trump anunciou que os departamentos de Energia e o Tesouro americano têm a missão de “colocar fundos à disposição para que essas empresas muito importantes e os empregos (gerados por elas) sejam mantidos no futuro”.

O petróleo é vítima da queda do consumo por causa das medidas que reduziram a mobilidade em todo o mundo, como forma de combater o novo coronavírus. No entanto, sua produção está mantida, em um mercado que antes mesmo da crise já estava sobrecarregado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui