Supremo a Jato

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Existe uma diferença importante entre defender as instituições e defender bandidos, assim como existe uma diferença grande entre prender bandidos e fragilizar as instituições.

O que temos visto no país é bastante interessante, pois o jogo de poder coloca a maioria das pessoas, que não estão muito atentas, em armadilha que elas sequer imaginam.

Os últimos acontecimentos são bastante esclarecedores, embora estejam bem confusas suas interpretações.

A Operação Lava-Jato estava parada, sem qualquer movimentação mais contundente, principalmente depois que Sérgio Moro foi para o Ministério da Justiça. O desgaste dos juízes e promotores ficou evidente quando foi descoberto o acordo entre a Petrobrás e o Ministério Público, onde sobraria uma verba de R$ 2,5 bilhões para uma entidade privada.

Gilmar Mendes, ministro do STF, esculhambou o promotor Deltan Dallagnol e disse que as pessoas que realizaram aquele acordo eram “gansters” que tinham a intenção de criar um “fundo eleitoral” para o “poder”, chamou os procuradores de “gente desqualificada”, “gentalha despreparada” que não tem condições de “integrar um órgão como o Ministério Público”, “cretinos”, que se estudaram em Harvard não aprenderam nada. E ainda falou: “sabe-se lá o que estão fazendo com esse dinheiro”, esses falsos heróis, descobre-se, exatamente, que integram máfias, organizações criminosas?!

Depois disso, começou uma grande manifestação contra a Lava-Jato, que é considerada um Tribunal de Exceção, ou seja um tribunal ilegal que está cometendo injustiças e decisões ilegais. Então, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que Moro é mero funcionário de Bolsonaro e, logo após, o sogro de Maia é preso e, junto com ele vem a prisão de Temer.
Esses novos movimentos da Lava-Jato são, exatamente, para desestruturar o STF e criar uma competição na opinião pública entre a Lava-Jato (que é uma instância inferior) e o STF (que é instância suprema do Judiciário).

Assim como o impeachment de Dilma não foi contra Dilma, mas contra o Executivo, a República e a Constituição, o atual ataque ao STF é um ataque contra o Judiciário, contra as instituições federais e a “hierarquia das normas”. Depois de quebrar o STF vai sobrar somente o Poder Legislativo, que é o mais venal de todos.

Os robôs do Steve Bannon já foram acionados para o combate ao STF. As pessoas que estavam indignadas com as atitudes ilegais dos ministros do STF, principalmente quando protegeu a turma do Jucá, quer derrubar todos os ministros, mas não percebe que está ajudando a derrubar a democracia, assim como foi no caso do impeachment.

A prisão de Temer, embora desejada, foi realizada de forma estranha, pois o momento e a oportunidade demonstram que é uma forma de a Lava-Jato ganhar pontos perante a opinião pública. Uma alternativa para “justificar” o Tribunal de Exceção, afirmando que estão sendo presos os outros políticos que não fazem parte do PT.

O que está acontecendo, realmente, no Brasil é uma destruição total de qualquer resquício de organização institucional, o que deixará a organização administrativa muito difícil e esse vácuo de governo vai ser preenchido por um regime ditatorial. Aguardemos os próximos movimentos.

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