DE OLHO NA IDEIA – O ÓDIO QUE CEGA

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No Brasil não se morre mais de monotonia. No dia em que iria repercutir a visita de Glenn Greenwald na Câmara dos Deputados, quando as mídias sociais já estavam se preparando para demonstrar que o jornalista do Intercep demoliu a relação promíscua entre Moro e Dallagnol, surgiu um novo escândalo.

Inimaginável até pouco tempo atrás, que no mesmo dia que o ministro da Justiça estivesse nos Estados Unidos para tratar de questões referentes ao narcotráfico, um dos aviões da presidência da República fosse pego com 40 kg de cocaína em um aeroporto da Espanha.

A imagem do país sofre reveses cada vez mais destruidores. Agora um militar da comitiva do presidente da República, em um avião da presidência, foi vergonhosamente pego traficando cocaína. Embora o vice-presidente tenha dito que se trata de “uma mula qualificada”, para tentar minorar o efeito do escândalo, se trata de um “narcotraficante internacional”, que tem as bênçãos de alguém de dentro do grupo de segurança do presidente da República.

A carga que a “mula” carregava tem o valor de 6 milhões de reais e não é tão fácil de esconder. Imaginemos 40 kg de sal, um quilo em cima do outro para termos uma ideia do tamanho da sacola para transportar a droga. Como esconder isso de uma fiscalização? De uma simples revista?

Alguma coisa muito intrigante está acontecendo com nosso país e com nossos cidadãos, pois tenho acompanhado diversas pessoas tentando justificar o fato de Moro fazer acordo com Dallagnol e tentar encontrar explicação para desculpar o fato de um membro da comitiva presidencial ser preso com cocaína. Ora, se um juiz pode fazer acordo com um promotor e um avião das Forças Aéreas Brasileiras pode traficar cocaína, então as leis já não possuem mais sentido e tudo se transformou em uma disputa de opinião pública.
Devemos ficar cientes de que não interessa quantas viagens o militar fez pelo mundo, nem quantos presidentes ele acompanhou ou deixou de acompanhar, pois o fato é um só. O sargento filiado ao PSL e pastor, foi pego com cocaína e chamado de “mula” pelo vice-presidente. Se o Mourão sabe que ele é “mula” e não o próprio traficante, é responsabilidade dele, Mourão, declarar de quem é a droga e qual era seu destino.

Não é admissível que aquelas pessoas que até ontem estavam interessadas em desvendar todas as redes de corrupção do país, estejam, hoje, tentando minimizar que o narcotráfico tomou conta de uma das aeronaves da FAB. Também é muito grave perceber que não foram as forças de segurança do presidente que encontraram a droga, mas a polícia de Sevilha, dando a entender que se a polícia internacional não agisse, o traficante teria êxito na sua missão.

Santo Agostinho explica, de certa forma, o que está acontecendo com uma boa parcela dos cidadãos de nosso país: “Por que é que a verdade gera o ódio? Por que é que os homens têm como inimigo aquele que prega a verdade, se amam a vida feliz que não é mais que a alegria vinda da verdade? Talvez por amarem de tal modo a verdade que todos os que amam outra coisa querem que o que amam seja verdade. Como não querem ser enganados, não se querem convencer de que estão em erro. Assim, odeiam a verdade, por causa do que amam em vez da verdade. Amam-na quando os ilumina e odeiam-na quando os repreende. Não querendo ser enganados e desejando enganar, amam-na quando ela se manifesta e odeiam-na quando os descobre. Porém, a verdade os castigará, denunciando todos os que não quiserem ser manifestados por ela. Mas nem por isso ela se lhes há de mostrar”.

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