Caso Bernardo: Soma das penas dos réus ultrapassa os 100 anos de condenação

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Após cinco dias, chegou ao fim nesta sexta-feira (15), no Fórum de Três Passos, o julgamento dos quatro acusados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini. Eram réus no processo penal, o pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz.

Conforme o inquérito policial, o garoto de 11 anos foi morto mediante uma super dosagem do medicamento Midazolan. O crime ocorreu em 04 de abril de 2014 em Frederico Westphalen, município distante cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde a vítima morava com o pai, a madrasta e uma meia-irmã.

Entre segunda e quarta-feira foi realizada a fase testemunhal do julgamento. Na lista de pessoas arroladas pelo Ministério Público e defesas estavam, entre outras, as delegadas da Polícia Civil, Caroline Bamberg Machado e Cristiane de Moura e Silva Braucks, além da empresária Juçara Petry, da psicóloga Ariane Schmitt, do perito Luiz Gabriel Costa Passos e Andressa Wagner, ex-secretária do médico Leandro Boldrini.

Ainda na quarta-feira teve início o interrogatório dos réus. O primeiro foi Leandro Boldrini. O médico respondeu aos questionamentos da Juíza Sucilene Engler, do Ministério Público e da defesa, por quase quatro horas.

No decorrer desta quinta-feira, foram inquiridos os outros acusados: Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. A acusação ficou impedida de interrogar os três. Eles somente responderam as perguntas oriundas da magistrada e de seus advogados.

Na tarde de ontem começaram os debates. Os Promotores Bruno Bonamente, Sílvia Miron Jappe e Ederson Maia Vieira, se revezaram na explanação do Ministério Público por cerca de quatro horas. O mesmo tempo foi disponibilizado para os advogados dos acusados, sendo que cada defesa falou por uma hora aproximadamente. Os debates foram finalizados já na madrugada desta sexta-feira (15).

O julgamento recomeçou às 10 horas de hoje com a réplica do Ministério Público diante das argumentações das defesas. Em seguida, os advogados de Leandro, Graciele, Edelvânia e Evandro, apresentaram suas tréplicas. Pouco antes das 15 horas, a Juíza Sucilene Engler suspendeu os trabalhos por 40 minutos para o almoço.

No retorno, o Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, votaram os quesitos que poderiam absolver ou condenar os quatro réus no processo penal que tramita desde abril de 2014. A votação foi coordenada pela magistrada e acompanhada pelo Ministério Público e defesas.

As 18h45min foi liberada a entrada dos 40 inscritos para assistir o julgamento no Fórum de Três Passos. Neste momento também era grande a movimentação de populares nas imediações do prédio. Um forte aparato de segurança ficou montado durante os cinco dias do júri. O objetivo era evitar a aglomeração de pessoas e a utilização de cartazes ou carros de som, que pudessem atrapalhar o andamento do julgamento.

Por volta das 19 horas, a Juíza Sucilene Engler iniciou a leitura da sentença dos quatro réus. Veja a pena de cada um:

– Leandro Boldrini: Foi condenado a 33 anos e oito meses de reclusão.

Do total, 30 anos e oito meses são por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação); dois anos por ocultação de cadáver e um ano por falsidade ideológica.

– Graciele Ugulini: Foi condenada a 34 anos e sete meses de prisão.

Do total, 32 anos e oito meses por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação) e um ano e 11 meses por ocultação de cadáver.

– Edelvânia Wirganovicz: Foi condenada a 22 anos e dez meses de reclusão.

Do total, 21 anos e quatro meses por homicídio qualificado (emprego de veneno e mediante dissimulação), e mais um ano, seis meses e 14 dias por ocultação de cadáver.

– Evandro Wirganovicz: Foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.

Do total, oito anos são por homicídio simples e um ano e seis meses por ocultação de cadáver. Como Evandro já cumpriu parte da pena, a magistrada determinou que o restante da condenação seja em regime semiaberto.

Leandro, Graciele e Edelvânia cumprirão a pena em regime fechado inicialmente. O Ministério Público e as defesas ainda poderão recorrer da decisão.

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