Dívidas da Cotrijuí poderão recair sobre associados

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Em janeiro de 2018, o Poder Judiciário determinou a intervenção na Cooperativa Regional Tritícola Serrana LTDA (Cotrijuí) e a nomeação de um administrador judicial. A deliberação do Juiz Nasser Hatem, da 1ª Vara Cível da Comarca de Ijuí, atendeu ao pedido apresentado pela Chinatex, uma das maiores credoras da Cotrijuí.

Decorridos praticamente 15 meses após a ordem de intervenção, a cooperativa ainda aguarda a sentença que definirá seu futuro. O processo movido pela Chinatex, que solicita a liquidação extrajudicial, aprovada em assembleia dos associados em 2014, pode ser convertida para liquidação judicial. Na prática, seria o reconhecimento legal da inviabilidade da Cotrijuí.

Um levantamento efetuado pela ex-diretoria da cooperativa revelou que as dívidas se aproximam de R$ 2 bilhões, ou seja, quase o dobro do patrimônio da Cotrijuí. Esses débitos se tornaram uma enorme preocupação para os cerca de 20 mil remanescentes no quadro social.

Se a Cotrijuí for liquidada judicialmente e eventualmente restarem pendências financeiras, a responsabilidade do pagamento será repassada aos associados. Essa determinação consta no estatuto da cooperativa.

– O artigo 55 do estatuto da Cotrijuí é muito claro, ou seja, resumidamente, o produtor será chamado para pagar a conta sim. Agora quem e como é outra coisa que a Justiça terá que decidir – explicou Edson Burrmann, membro da diretoria da Associação de Credores, Amigos e Interessados no Soerguimento da Cotrijuí (ACAISC).

Mobilização em Ijuí:

A ACAISC reuniu um grande número de pessoas interessadas na revitalização da Cotrijuí, na tarde da última sexta-feira (22), na Casa do Produtor, no Parque de Exposições de Ijuí. Temas relevantes foram debatidos e explicados com o auxílio da assessoria jurídica contratada pela associação.

Na ocasião, foi sugerida a realização de uma mobilização no próximo dia 26 de abril. O objetivo é tentar assegurar que a ACAISC participe das decisões que irão impactar no futuro da cooperativa. Se a Cotrijuí for liquidada judicialmente, isso representará o encerramento das atividades.

A organização do movimento começará em breve. É prevista uma carreata e até acampamento nas dependências da sede da Cotrijuí. Também é cogitada uma manifestação pacífica em frente ao Fórum de Ijuí. Os organizadores ainda debaterão a utilização de maquinários agrícolas durante os atos.

Leilão de bens:

Nos dias 19 e 20 deste mês, aconteceu o leilão de 234 itens pertencentes à Cotrijuí. Todos os lotes acabaram arrematados. Foram leiloados caminhões, utilitários, motos, carros, sucatas e máquinas industriais.

Segundo a contabilidade oficial da Bronzatti Leilões, as vendas resultaram em R$ 2,9 milhões. O destino do dinheiro será decidido pelo magistrado titular da 1ª Vara Cível de Ijuí, que cuida das ações envolvendo a Cotrijuí. No entanto, existe a expectativa que o valor será reservado ao pagamento de dívidas trabalhistas, especialmente rescisões de ex-funcionários da cooperativa.

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