O que esperar do show do Metallica em Porto Alegre

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Um dos momentos mais densos e intensos do show é a execução de "One" com sons de tiros, fogos e imagens de exércitos na Primeira Guerra Mundial | Foto: Metallica / Divulgação / CP / Fonte: CP

A contar pelas transmissões via internet dos shows da turnê “Worldwired” em Santiago, na Hípica, no dia 27 de abril, e no Campo de Polo Argentino, no sábado, 30 de abril, em Buenos Aires, posso afirmar que Porto Alegre se prepara para ver a mesma intensidade dos shows do Metallica em sua terceira vez por estas plagas. O show está previsto para quinta, 5, às 21h, no Estacionamento da Fiergs (Assis Brasil, 8787). Ontem, a Live Nation anunciou que os portões abrem duas horas mais cedo. Era às 17h e agora será às 15h. A banda de abertura local será a Ego Kill Tallent às 18h30min, com o Greta Van Fleet tocando às 19h30min. Ingressos pelo eventim.com.br/metallica.

Mais de duas décadas se passaram desde o primeiro show do Metallica na Capital e parece que a idade não pesa para o quarteto californiano. No primeiro show em 6 de maio 1999, no Jóquei Club, eu não estava presente. No segundo, em 28 de janeiro de 2010, no Parque Condor, eu estava lá e conferi por duas horas em meio a um terreno não muito preparado para shows, com um pouco barro, a vitalidade do quarteto formado por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo, executando muitas das canções que estão nesta turnê, como “Creeping Death”, “Nothing Else Matters”, “Sad But True”, “One”, “Ride the Lightning”, “Master of Puppets” e “Enter Sandman”.

Falando especificamente do show de Buenos Aires, há que se tratar da cumplicidade dos membros da banda com o público argentino. A todo momento Hetfield e Ulrich tratavam de pedir desculpas pela demora causada pela pandemia para voltar e agradecer pela paciência do público, conhecido por cantar forte as músicas das bandas preferidas. Diante da expectativa de 60 mil pessoas no Campo de Polo Argentino, que já havia recebido o Kiss uma semana antes, os riffs de “It´s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll), do AC/DC, já deixam todos em polvorosa, mas quando “The Ecstasy of Gold”, trilha de Ennio Morricone para “Três Homens em Conflito”, de Sergio Leone, ganha o telão e a música começa a ecoar é que o público passa a entoar junto. O início está próximo. Lars Ulrich dá as coordenadas com a bateria e as cordas acompanham e começa a acelerada “Whiplash”, de “Kill ´em All” (1983). O peso não mais abandona o palco e a velocidade da mão direita de Hetfield nos riffs, os solos de Hammett e Hetfield, e a marcação de força extrema do baixo de Trujillo, a sincopagem com aqueles solavancos e rolos precisos de Ulrich deixam o público à vontade para sentir toda a vibração e energia que sua banda preferida traz. Seguem no roteiro da noite, a pesadíssima “Ride the Lightning”, do disco homônimo, de 1984, com mais duas pérolas “Fuel”, de “Reload” (1997) e “Seek & Destroy, de “Kill ´em All”, esta que fechou o show de 2010.

A primeira grande narrativa da noite nos shows do Metallica desta turnê é “One”, com sua introdução à base de tiros e fogos da Primeira Guerra Mundial e contando a história do soldado ferido que não tem alguns de seus membros, mas ainda vive em seu cérebro. Esta é a principal música de “And Justice for All”, de 1988. Ela tem todos os estágios, da balada soturna até o thrash metal solado hiper energético. Uma música completa. Para muitos fãs, a preferida. E o show segue acelerado com espaço para vibrante “Sad But True”, a doce “The Unforgiven” e para duas elaboradas canções de “Ride the Lightning”: “For Whom the Bells Tols” e “Creeping Death”. A noite de Buenos Aires ainda reservou espaço para a sempre surpreendente “No Leaf Clover”, do disco “S&M”, gravado com a San Francisco Symphony Orchestra, regida por Michael Kamen, de 1999, e fechando a primeira parte do show com “Master of Puppets”, do disco homônimo, conduzida com maestria pelo quarteto com seu refrão empático e feito para pensar.

Antes de voltar para o palco, com um intervalo de quase 5 minutos, a escolha recai sobre a velocíssima “Spit Out The Bone”, do disco “Hardwired… to self-destruct” (2016), que lembra muito as canções do trio Motörhead como “Ace of Spades”. Para fechar, as clássicas “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman”, músicas que habitam o imaginário do mais simples ao mais complexo fã de Metallica. E parecia que nada mais importava mesmo, como diz a música “Nothing Else Matters”. Pois após 16 músicas e 1h53min de show, o público não arredou pé do Campo de Polo. Durante uns 8 minutos, os quatros integrantes da banda andaram de um lado para outro do palco, agradecendo ao público entusiasmado e jogando palhetas e baquetas para os fãs ensandecidos. Hetfield regeu as vozes com as mãos, Kirk declarou amor e Lars Ulrich agradeceu pela espera paciente durante os anos de pandemia e disse que “Metallica ama vocês”, enquanto Trujillo em espanhol provocou o espírito de “inchada” (torcida) dos argentinos com o “Vamos Vamos Argentina, vamos vamos a ganhar”, ligado ao futebol. Foi uma apoteose. E acho que Porto Alegre está preparada para mais um show de arrepiar.

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