PANCREATITE AGUDA

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Pancreatite aguda é um processo inflamatório agudo decorrente da autodigestão do pâncreas causado pelas próprias enzimas pancreáticas, podendo ou não envolver subsequentemente outros tecidos regionais, órgãos ou tecidos a distância.

Pode ser classificada clinicamente em pancreatite aguda leve ou grave. Na forma leve as alterações clínicas sistémicas e locais são mínimas. Os achados anatomopatológicos apresentam uma pancreatite aguda edematosa. Em sua forma grave estão presentes os sinais de falência de órgãos como hipotensão arterial, insuficiência respiratória, insuficiência renal e sangramento do trato gastrointestinal. As complicações locais como necrose, abscesso e pseudocisto pancreático estão presentes. Os achados anatomopatológicos caracterizam-se por uma pancreatite aguda necro-hemorrágica.
Acomete de 5-35 casos a cada 100.000 pessoas, com mortalidade média de 3 à 17%, com sua forma leve sendo a mais comum e a forma grave sendo menos frequente. Em 21% dos pacientes, apresenta episódios recorrentes e desses, 8% evoluem para a forma crônica.
Fatores de risco – Tabagismo, colelitíase, etilismo constituem 80% das etiologias de pancreatite aguda. Alguns outros fatores também podem estar associados com o quadro, tais como triglicerídeos elevado, trauma abdominal, hipercalcemia.

O quadro se inicia com episódios de dor abdominal contínua em andar superior do abdome, tipo faixa, que irradia para o dorso, geralmente acompanhado de náuseas e vômitos. Alguns sinais e sintomas podem se mostrar como sinais de gravidade, sendo eles febre alta, taquicardia e hipotensão, taquipneia e rebaixamento do nível de consciência.
O diagnóstico se dá pela presença de 2 entre 3 critérios, como dor em andar superior do abdome, persistente, tipo “faixa”, que irradia para dorso; amilase e/ou lipase maior que 3 vezes o limite superior da normalidade; exame de imagem sugestivo de pancreatite aguda (TC ou RNM).

Tratamento – Os tratamentos da pancreatite aguda são o suporte clínico com reposição volêmica (hidratação), analgesia, controle de náuseas/vômitos, realimentação precoce e fornecer suporte às complicações sistêmicas quando presentes (infecção, insuficiência respiratória, insuficiência renal, hipotensão arterial, alterações metabólicas). A realização de procedimentos invasivos, incluindo tratamento cirúrgico, está reservada para indicações específicas conforme etiologia (litíase biliar – colecistectomia) e presença de complicações locais (necrose, abscesso, pseudocisto).

Prognóstico – Dos pacientes internados por pancreatite aguda, 20 a 30% evoluem para a forma grave. A mortalidade geral na pancreatite aguda é estimada em 5%. Entretanto, na forma grave com necrose pancreática estéril a mortalidade aproxima-se a 10%, podendo chegar a 30% quando há necrose pancreática infectada. A mortalidade está aumentada em pacientes mais idosos, com aparecimento precoce de complicações locais/sistêmicas e etiologia idiopática ou traumática.

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